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Dor na Coluna 3 - As guias com orientações para diagnóstico e tratamento das dores na coluna (Parte I)


Em saúde, existem guias com recomendações ou orientações sobre como o profissional deve conduzir a sua avaliação e tratamento para determinadas patologias. Esses guias são desenvolvidos por especialistas, e se baseiam no que já existe sobre diagnóstico e tratamento na literatura científica sobre o assunto. Existem guias relacionados a diversos problemas de saúde, inclusive alguns sobre a dor na coluna. E é sobre esses que iremos discutir.

O primeiro manual para Diagnóstico e Tratamento da Lombalgia e Lombociatalgia foi publicado em 2001, pela Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina. Neste manual foram estabelecidos conceitos, procedimentos diagnósticos e terapêuticos para a lombalgia. Foi uma tentativa de padronizar a forma como os médicos deveriam receber os pacientes com dor na coluna lombar.

Só que naquele ano, as pesquisas que existiam sobre os procedimentos diagnósticos e terapêuticos em pessoas que sofrem de dor na coluna eram muito precárias em todo o mundo.

Quanto ao que diz respeito ao diagnóstico, a maioria dos procedimentos continua sendo recomendada até hoje. A conversa com o especialista e os exames clínicos são a principal chave para diagnosticar a maioria dos casos, que se caracterizam como lombalgia mecânica e melhoram dentro de 3 a 4 dias, em média. Foram estabelecidos os casos em que deveriam ser solicitados os exames complementares: a tomografia computadorizada e a ressonância magnética só devem ser solicitadas “nas lombalgias e ciatalgias agudas que tenham evolução atípica e nas de evolução insatisfatória, cuja causa não foi determinada após 6 semanas de tratamento clínico”. A eletroneuromiografia e a densitometria óssea têm indicação ainda mais restrita.

Com relação ao tratamento, foram colocados alguns critérios:

a) A primeira escolha de tratamento para a lombalgia mecânica comum é o tratamento conservador;

b) A cirurgia só é indicada em caráter de urgência na síndrome da cauda eqüina (alteração de esfíncteres, da potência sexual e perda súbita da força dos membros inferiores);

c) O repouso é eficaz na fase aguda, mas não deve ser prolongado (a média é de 3 a 4 dias);

d) Os medicamentos (com destaque para os antiinflamatórios não-hormonais) devem centrar nos sintomas, de modo a recuperar a funcionalidade do paciente o mais rápido possível;

e) As cirurgias são indicadas nos casos de “déficit neurológico grave agudo (menos de 3 semanas) com ou sem dor, na lombociatalgia hiperálgica e, nas outras de menor intensidade, apenas para os pacientes que não melhoram após 90 dias de adequado tratamento clínico”;

f) Quanto aos recursos da fisioterapia como o uso do frio, calor, ultra-som, eletroestimulação transcutânea (TENS), órteses e exercícios, o consenso diz que apenas os exercícios aeróbicos e de fortalecimento da musculatura paravertebral são comprovadamente eficazes no tratamento das lombalgias, enquanto os demais recursos precisam de comprovação científica para serem recomendados;

g) A acupuntura também não pode ser recomendada por não ter comprovação científica;

h) As “escolas de coluna” são recomendadas, por terem comprovação de eficácia a curto prazo em comparação a outras modalidades de tratamento.

É muito importante relembrar que este guia foi publicado em 2001, e elaborado apenas por médicos. Isso implica dizer que além de já estar ultrapassado com relação às pesquisas que foram publicadas nos últimos anos, também é tendencioso, por não contemplar a participação de fisioterapeutas ou outros profissionais da saúde em sua elaboração.

Sendo assim, as suas recomendações relacionadas às indicações cirúrgicas e sobre a comprovação científica das técnicas de fisioterapia não se aplicam atualmente, como veremos nos guias, manuais e consensos publicados posteriormente, os quais serão apresentados e discutidos nos próximos artigos.

Fonte: Ft. Jailson Ferreira (06/12/11)

Jailson Ferreira

- Fisioterapeuta (UFPB) – CREFITO 50.901-F
- Mestre em Fisioterapia (UFRN)
- Formação em Osteopatia Clínica (ATMS-Bélgica)
- Formação em Posturoterapia (ATMS-Bélgica)
- Formação em Estabilização Segmentar Vertebral (Método australiano)
- Formação no Método POLD (Instituto Pold - Espanha)
- Professor de Cursos e Especializações em Fisioterapia Manual
- Fisioterapeuta franqueado do ITC-Vertebral - João Pessoa

Referência:

CECIN H. A. et al. Diagnóstico e Tratamento das Lombalgias e Lombociatalgias. Projeto Diretrizes – Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina. 2001. 13p.
   

Dor na Coluna 2 - O desafio de diagnosticar


Em primeiro lugar, é importante deixar claro que, no Brasil, o diagnóstico clínico é dado pelo médico, e o diagnóstico cinético-funcional é dado pelo fisioterapeuta.

Diagnóstico clínico é aquele no qual identifica-se a patologia. Diagnóstico cinético-funcional é aquele no qual identifica-se as limitações ou incapacidades funcionais decorrentes da patologia.

É papel do médico encaminhar para o fisioterapeuta quando entender que a patologia do paciente levou a limitações ou incapacidades que podem ser resolvidas ou amenizadas pela fisioterapia. Para isso, o médico precisa ter um conhecimento do que a fisioterapia pode oferecer ao paciente. O médico não vai executar a fisioterapia, mas sabe o que o paciente poderá esperar dela.

É papel do fisioterapeuta identificar as incapacidades e limitações funcionais do paciente (diagnóstico cinético-funcional) e traçar objetivos e metas para o caso do paciente. Além disso, o fisioterapeuta precisa conhecer a patologia do paciente. O fisioterapeuta não vai dar o diagnóstico clínico, mas deve saber tudo sobre a patologia do paciente que está tratando. O fisioterapeuta não faz cirurgia, mas deve saber tudo o que for relevante sobre a cirurgia do seu paciente. O fisioterapeuta também não prescreve medicação, mas deve saber tudo sobre a ação do medicamento que o seu paciente está tomando.

Os melhores centros de tratamento do mundo têm reuniões entre os profissionais de cada área, para discutir os casos dos pacientes. E assim são fechados os diagnósticos e são estabelecidos os objetivos e metas do tratamento.

E isso acontece dessa forma por um único motivo: ninguém sabe tudo.

Pouquíssimos pacientes com dor na coluna têm a oportunidade de serem avaliados por uma junta médica. Então a recomendação número 1 para os pacientes que não têm essa oportunidade é: procure uma segunda opinião. E se não ficar satisfeito, uma terceira, quarta...

Em 2005, foi publicado um artigo na revista Spine no qual 207 reumatologistas brasileiros responderam um questionário sobre os procedimentos de diagnóstico e tratamento que eles utilizavam na primeira consulta de uma paciente hipotética que apresentasse lombalgia sem complicações ou uma ciatalgia. As respostas dos especialistas foram tão diversificadas, que a conclusão que os pesquisadores chegaram foi a de que “é necessária a divulgação de guias com orientações para otimizar a utilização dos recursos de diagnóstico e tratamento da lombalgia”.

Esses guias com orientações de avaliação e tratamento já existem. Alguns foram publicados nos Estados Unidos, Canadá, União Européia, Austrália, e alguns grupos de estudo sobre lombalgia espalhados pelo mundo. No entanto, mesmo esses guias apresentam algumas divergências, dependendo do grupo de profissionais que elaborou.

Nos próximos artigos, veremos alguns destes guias clínicos baseados em evidências científicas para tratamento da dor na coluna.

Fonte: Ft. Jailson Ferreira (29/11/11)

Jailson Ferreira

- Fisioterapeuta (UFPB) – CREFITO 50.901-F
- Mestre em Fisioterapia (UFRN)
- Formação em Osteopatia Clínica (ATMS-Bélgica)
- Formação em Posturoterapia (ATMS-Bélgica)
- Formação em Estabilização Segmentar Vertebral (Método australiano)
- Formação no Método POLD (Instituto Pold - Espanha) 
- Professor de Cursos e Especializações em Fisioterapia Manual
- Fisioterapeuta franqueado do ITC-Vertebral - João Pessoa

Referência:

MARGARIDO, M. S., KOWALSKI, S. C., NATOUR, J., FERRAZ, M. B. Acute Low Back Pain: Diagnostic and Therapeutic Practices Reported by Brazilian Rheumatologists. Spine 2005;30(5),567-571.
   

Dor na Coluna 1 - Introduzindo o assunto

A dor na coluna é um tema recorrente nos congressos de saúde, no meio acadêmico e clínico e nas revistas científicas porque atinge quase toda a população ativa do planeta. Bilhões de dólares são gastos em todo o mundo, direta ou indiretamente, por causa deste problema. E tudo o que movimenta muito dinheiro atrai atenção. Com esse assunto não é diferente. Entre os profissionais de saúde, os médicos e os fisioterapeutas são os que estão mais diretamente ligados ao tema. E o que estamos vendo hoje, é uma atenção redobrada desses profissionais para encontrar formas de controlar esse que pode ser o mal do século.

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Hérnia de Disco: em 76% dos casos há antecedente de dor lombar

Cerca de 90% das hérnias podem ser tratadas por meio de tratamento convencional
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