Síndrome do chicote

07/fev Por Helder Montenegro Revisão 07/fev - 2022

Síndrome do chicote é o que ocorre quando um indivíduo sofre um mecanismo repentino de desaceleração ou aceleração, imposto à região cervical. Isso é comum em acidentes de carro, por exemplo. 

Com isso, a região cervical pode sofrer danos consideráveis e o paciente sofrer consequências quando isso ocorre. 

De fato, as consequências podem ir desde um leve desconforto na região do pescoço, sem grandes preocupações, até lesões bastante sérias, afetando músculos e articulações da região cervical.

Daí a importância do diagnóstico correto e também do tratamento adequado. 

A síndrome do chicote também é conhecida por síndrome da desaceleração, lesão de desaceleração ou, inglês, por whiplash syndrome

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Causas

esquema mostrando movimento causado pela síndrome do chicote

A principal causa da síndrome do chicote é a lesão por movimento brusco.

A principal causa da síndrome do chicote, ou seja, de lesão na região da nuca causada pelo movimento brusco da cabeça para frente e para trás é um acidente automobilístico, mas não é a única causa. 

Violência, como em situações de abuso físico, ou ainda, em esportes como rugby, judô ou boxe, por exemplo, podem levar a esse tipo de lesão. 

Por definição, a síndrome do chicote é caracterizada pela desaceleração repentina, quando não há tempo da musculatura e estruturas anexas se prepararem para o impacto da abrupta desaceleração. 

Não há diferença no geral entre gêneros que mais sofrem esse tipo de lesão, porém, somente no caso de situações de abuso físico, as mulheres formam a maioria das vítimas. 

Muitos acreditam que esse tipo de lesão no pescoço só ocorre em acidentes automobilísticos em alta velocidade, porém, isso não é verdade.

De fato, a síndrome do chicote pode ocorrer em acidentes com automóveis em alta ou baixa velocidade e até com o veículo parado, em uma colisão traseira. 

Sintomas

mulher sentada na cama com uma das mãos no pescoço ocm dor por síndrome do chicote.

Há vários sintomas associados à Síndrome do chicote.

Os principais sintomas da síndrome do chicote estão relacionados à extensão repentina e torção dos tecidos moles presentes na região cervical. Assim, a região mais afetada é o pescoço. 

Com isso, além da dor no pescoço, pode haver danos nas estruturas ósseas, o que também pode comprometer nervos, visto que essa é uma região com grande número de terminações nervosas, tanto vindas do cérebro como da medula espinhal. 

Dentre os principais sintomas, pode-se citar: 

  • Dor na região do pescoço; 
  • Dificuldade de movimentação da cabeça, devido à dor e rigidez do pescoço; 
  • Dor de cabeça; 
  • Ombros doloridos; 
  • Formigamento e/ou dormência dos braços; 
  • Tontura; 
  • Visão embaçada; 
  • Irritabilidade; 
  • Dificuldade em dormir; 
  • Zumbido no ouvido; 
  • Problemas de memória, sobretudo memória recente.

Classificação da Síndrome do chicote

Dependendo do grau de comprometimento das estruturas cervicais, pode-se classificar a síndrome do chicote em quatro graus, conforme preconizado pela Quebec Task Force: 

  • Grau I: sem sinais clínicos, apenas manifestações de dor e rigidez muscular, relatadas pelo paciente; 
  • Grau II: sinais músculos-esqueléticos, associados às manifestações de dor; 
  • Grau III: sinais neurológicos, associados às manifestações de dor; 
  • Grau IV: sinais de fratura ou luxação cervical, associados às manifestações de dor.

Diagnóstico

desenho mostrando corpo humano dentro d eum carro sofrendo síndrome do chicote

O diagnóstico é feito com base nos sintomas e existência de trauma,

O diagnóstico é bastante guiado pelos sinais e sintomas apresentados pelo paciente, sobretudo ao mencionar a existência de trauma recente (acidente, trauma de esporte ou violência). 

Dessa forma, o fisioterapeuta fará algumas perguntas sobre como é a dor, quando começou, se piora ao tentar movimentar a cabeça e se houve algum trauma recente. Esse questionamento pelo fisioterapeuta é essencial para direcionamento das hipóteses do que pode ser a causa da dor. 

Com isso, as hipóteses diagnósticas são levantadas e assim, o fisioterapeuta pode solicitar alguns exames de imagem, que podem confirmar, ou não, a suspeita. 

Dentre os exames de imagem mais solicitados, estão radiografias da região cervical, tomografia computadorizada e ressonância magnética. 

Assim, com os dados das informações fornecidas pelo paciente, análise física e com a análise dos exames de imagem, caso haja suspeita, o fisioterapeuta pode encaminhar ao ortopedista que estabelecerá o diagnóstico correto do problema. 

Tratamento

homem de costas com as mãos na nuca dolorida por síndrome do chicote

Há várias abordagens par ao tratamento e alívio de sintomas de Síndrome do Chicote.

O esperado para a síndrome do chicote, com o tratamento adequado, é que a dor no pescoço desapareça em algumas semanas. A maioria dos pacientes já sente melhora após alguns dias. Porém, já outros pacientes podem levar meses até a melhora. 

Dor crônica e tratamento multidisciplinar 

Em alguns casos, a dor resultante da síndrome do chicote pode se tornar crônica. Nesses casos, há necessidade de tratamentos mais prolongados e até multidisciplinares, sobretudo se há presença de outros sintomas, como crises de ansiedade e depressão, por exemplo. 

Em pacientes vítimas de acidentes automobilísticos, por exemplo, pode haver dificuldade em voltar a dirigir ou até mesmo síndrome do pânico, ao retornar para um veículo. 

Já para outros pacientes, há enorme dificuldade em dormir, visto que o paciente pode constantemente relembrar do momento do acidente. Nesses casos, a utilização de medicação antidepressiva e controle da ansiedade reflete diretamente na dor sentida pelo paciente. 

Portanto, o tratamento multidisciplinar, com foco no lado emocional do paciente, em casos de acidentes e presença de dor crônica, é bastante recomendado. 

Medicação e uso de colar cervical 

Inicialmente, a prescrição de analgésicos e relaxantes musculares, para retirar o paciente da crise aguda de dor é benéfica nestes casos.

Já sobre o uso do colar cervical, apesar de muito utilizado, existem fortes evidências científicas de que o colar não contribui para a resolução do quadro agudo. A recomendação, portanto, é a volta gradual das atividades e exercícios terapêuticos sob supervisão do fisioterapeuta.

Síndrome do chicote e fisioterapia

Sempre como parte integrante do tratamento, as intervenções fisioterápicas são fortes aliadas na melhora do quadro da síndrome do chicote. Isso porque com um plano de tratamento individualizado, o fisioterapeuta conseguirá, aos poucos, fazer com que o paciente retorne a ter mobilidade na região. 

Em relação aos exercícios, diversos tipos podem ser prescritos e o fisioterapeuta poderá escolher o mais adequado para cada paciente. São exemplos de exercícios terapêuticos: exercícios de amplitude de movimento, exercícios de McKenzie, exercícios posturais,  exercícios de fortalecimento e exercícios de controle motor. 

Outras terapias, como a eletroestimulação transcutânea (TENS), auxiliam no alívio da dor. E o fisioterapeuta também pode fazer liberação muscular, mobilizações e bandagens, para melhorar o quadro de dor do paciente, conforme o caso clínico. 

Bloqueios terapêuticos 

Em alguns casos, o bloqueio de algumas terminações nervosas em pacientes pode apresentar bons resultados, sobretudo para pacientes que possuem baixa tolerância ao tratamento fisioterapêutico. 

Com o bloqueio, a terminação nervosa será temporariamente dessensibilizada, dado que o bloqueio tem uma duração determinada, ou seja, não é para sempre. 

Após os bloqueios das terminações nervosas, os pacientes se tornam mais tolerantes às sessões de fisioterapia, podendo evoluir melhor no tratamento. 

Por último, é essencial lembrar que o tratamento fisioterapêutico continuará para o paciente, mesmo quando passar pelo procedimento de bloqueio. 

Complicações da síndrome do chicote 

Dependendo do grau de trauma sofrido na região cervical, podem ocorrer fraturas e pinçamentos nervosos. 

Sintomas neurológicos, tais como formigamento dos braços ou perda da força de membros superiores, são indicativos de consequências mais severas do trauma sofrido. 

Dessa forma, a análise neurológica do paciente, com o auxílio de exames de imagem, como a ressonância magnética, por exemplo, são importantes para verificar lesões de fratura nas vértebras cervicais e comprometimento das terminações nervosas, o que resultam em sintomas mais severos. 

Por último, no surgimento de sintomas emocionais, o cuidado e atenção com o lado emocional do paciente é também importante, para que o processo de dor possa ser tratado em sua totalidade. 

Como prevenir a síndrome do chicote? 

A prevenção para esse problema passa pelo uso correto do cinto de segurança e usar veículos, conforme estabelecido por lei, que tenham encosto para a cabeça. 

Dirigir defensivamente, sempre sendo cuidadoso e guardando distância do veículo à frente pode contribuir para diminuição dos acidentes automobilísticos.

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